domingo, 10 de janeiro de 2010

Recortes de Conjuntura, janeiro 2010.

Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares, Alagoas.


1. Internacional

a) O ano de 2009 foi marcado inicialmente por um “pânico mundial”, motivado pela crise econômica. No entanto, essa crise, ao que parece, não teve a repercussão que se imaginava. Tanto a classe dominante como a esquerda não souberam prever a extensão do que estava por vir. Todavia, a crise gerou a demissão de milhões de trabalhadores no mundo todo, principalmente no setor industrial e um socorro a instituições financeiras no valor de bilhões de dólares, com desculpa de não deixar a crise se propagar.

b) Evidente que passamos por um período de turbulência, mas não na mesma proporção do que se pensava. Banqueiros continuaram ganhando e provavelmente arrumaram um jeito de ganhar mais ainda com essa crise, sendo poucos os que realmente abriram falência ou coisa desse tipo. No caso do Brasil, temos como emblemático a questão da Embraer, antiga estatal, que demitiu milhares de trabalhadores, mas no fim do ano divulgou mais uma alta taxa de lucro com venda de novos aviões.

c) Pra quem serviu a crise? Até mesmo os países que demonstravam encolhimento econômico, já estão se recuperando. Certo é que a recuperação dos empregos não foi na mesma proporção das demissões (a nível mundial) e os recontratados perderam alguns benefícios que tinham antes. Os banqueiros que jogaram na ciranda Financeira a custa do trabalho do povo provocaram todo o início da crise, receberam a ajuda financeira e saíram ilesos. Não são considerados culpados pela crise e, principalmente, através da mídia nos introjetam um discurso de que não poderia ser diferente. Mesmo com os grandes capitalistas defendendo um controle mínimo do Estado em seus negócios, toda vez que as coisas escapam do seu controle lá está o Estado para injetar o dinheiro da população mundial em seus cofres.


d) O que de particular ocorre nessa crise e no cenário que já vem se desenhando antes mesmo dela ocorrer é uma maior importância dos países ditos emergentes, como o Brasil, China, Rússia, África do Sul, Índia, México, etc. Ou seja, os antigos membros de parte do que era chamado segundo e terceiro mundo. O crescimento econômico dessas nações não implica na melhoria, em termos significativos, do acesso material pela maioria da população desses países. Alguns países, como por exemplo a China, não deixaram de ter índices altos de crescimento mesmo no pior momento da crise. Mas a classe oprimida desses países continua oprimida e possui baixos índices de desenvolvimento humano.

e) Uma conjuntura particular vive a América Latina, onde vários países estão com governos com origem na esquerda tradicional do continente, alguns com uma postura de crítica e um certo embate contra a política internacional dos EUA e os organismos ligados a ele. Entre esses países temos a Venezuela, Bolívia e Equador. O problema é que isso significa um retrocesso de boa parte dos movimentos sociais que acabam girando em torno de uma lógica legalista para manter o poder que se empenharam tanto em conseguir. Alguns passaram literalmente para o lado de lá. Nos países como a Venezuela, o fato de a esquerda estar no poder significa a ilusão de mudanças em uma perspectiva por dentro do Estado. Mas não podemos desprezar a grande mobilização popular que ocorre nesses países, o que nos dá esperança na capacidade de mobilização do povo latino americano, que cada vez mais precisa acreditar em suas pernas e braços e menos nas instituições.

f) Como era de se esperar com a eleição de Obama, não se alterou a relação imperialista que a nação mais poderosa do mundo tem para com o restante da Humanidade. Mesmo sem ter feito nada de concreto em benefício da humanidade, ganhou o prêmio Nobel da paz e logo em seguida anunciou o envio de mais tropas pro Afeganistão. Os discursos são mais amenos, mas a atitude é na sua essência a mesma. Como por exemplo no caso do Golpe de Honduras, quando condenou publicamente o golpe, mas não fez nada para impedi-lo e suspeita-se que tenha trabalhado nos bastidores para garantir a deposição do antigo presidente. Não podemos esquecer que Honduras serviu de plataforma do governo ianque para neutralizar as guerrilhas na América central nos anos 70 e 80. Essas relações perduram até hoje, independente do presidente de turno. No capitalismo, as instituições são maiores do que as pessoas que estão a sua frente. Apesar da brava resistência da população contra o golpe, a direita conseguiu manter a deposição do antigo presidente até fazerem uma eleição forjada e colocar uma pessoa da sua confiança. O Brasil teve destaque em todo o processo por ter refugiado o ex-presidente na sua embaixada. Apesar de ter posição dura contra o golpe não pôde ir mais além dos limites impostos pela imprensa reacionária brasileira e não ferir interesses internacionais. A razão é que essa atitude poderia causar uma certa instabilidade na imagem que o Brasil vem construindo: a de governo de origem de esquerda, mas obediente e fiel aos ditames neo-liberais internacionais.

g) No final do ano tivemos uma semana de discussões na Dinamarca sobre o aquecimento global. Mais uma vez os países ricos (maiores poluidores) colocaram os lucros da classe dominante acima da saúde do planeta e colocaram em cheque a sobrevivência da humanidade. Isso no dá cada vez mais certeza da urgência da superação desse modelo que precisa poluir e desperdiçar para se reproduzir.

2. Nacional

h) A “crise” também teve repercussão no Brasil, que mesmo não tendo recessão econômica, teve que cortar alguns gastos em favor daqueles que especulam no mercado financeiro. O fundo de participação dos municípios foi cortado e atingiram os Estados mais pobres e que mais dependem deles, lesando diretamente inúmeros funcionários públicos e a população que depende de seu serviço. O que se gastou com ajuda aos banqueiros é maior que o aumento de recursos reivindicado pelos movimentos sociais da saúde para o setor via aprovação da EC 29.

i) O governo atravessou a crise mundial e ao escândalo do senado que envolvia um de seus maiores aliados (Sarney) com altos índices de popularidade. Aliás, com a maior popularidade que um presidente já teve na história do Brasil. Com a camada da população mais sofrida dependendo da bolsa família, pela simbologia que o populismo representa para o povo, o governo conseguiu sair da crise por cima, apesar do esforço de boa parte da imprensa reacionária.

j) Ter um governo “populista” com toda a carga histórica de esquerda que ele representa cria confusão e ainda deixa boa parte do movimento social imobilizado diante da cooptação frente as instituições estatais. Não há dúvidas que existem diferenças entre esse governo ou outro que poderia ser representado pelo PSDB, mas o eixo econômico neoliberal é o mesmo. Mesmo no tocante à repressão aos movimentos sociais, que seria mais forte em outros governos, percebe-se que o governo tem apoio de inúmeros MS, mas age com muito pouco empenho no que se refere, por exemplo, a violência no campo, pois possui em ministérios representantes da bancada ruralista. Esse fato serviu para imobilizar o avanço da “reforma agrária”.

k) Vemos o Brasil se encaminhar para as disputas eleitorais de 2010 sem que se tenha definido o nome da oposição que irá enfrentar a representante do atual governo. A certeza é que o eixo central estará mantido, o que mudará é o algoz do povo.

l) Certeza mesmo é que praticamente todos os agrupamentos da esquerda e os movimentos sociais que eles influenciam estarão voltados para as eleições ano que vem. Seja moderando o discurso e fazendo alianças com setores conservadores, sejam diminuindo as lutas e servindo de ridículos frente à população nacional.

m) O Brasil foi escolhido para sediar a copa e as olimpíadas. O dinheiro que será gasto nessa obras com certeza será, em sua maior parte, público. O mesmo dinheiro que sempre é negado no que se refere a reivindicações da saúde, meio ambiente, educação ou funcionalismo público.

n) Também devemos destacar que os lutadores e lutadoras do povo continuam se articulando para reverter essa conjuntura nos quatro cantos do Brasil. Essa luta travada diariamente encontra muitas resistências por parte do sistema opressor. Citamos aqui dois casos, envolvendo companheiros anarquistas. Um é a invasão da sede da Federação Anarquista Gaúcha por parte da polícia, que munida de mandatos judiciais, responderam duramente a uma campanha que a FAG fazia contra a política corrupta e assassina do governo do Rio Grande do Sul. Alguns companheiros sofreram indiciamento e vários materiais foram apreendidos. Outro é o assassinato do professor e anarquista Chrystian Paiva, que participou de várias mobilizações de sua categoria contra o governo estadual de Roraima, despertando a ira dos poderosos e sendo brutalmente assassinado pela polícia, a qual, de forma muito tosca, forjou um suicídio que foi vendido pela mídia. Apesar de tudo, nos mantemos de pé e caminhando e se estamos incomodando é porque estamos no caminho certo.

3. Estadual

o) Apesar de toda exposição pública que sofreram os deputados taturanas em decorrência de seu indiciamento pela polícia federal acerca do desvio de verbas da assembléia legislativa, eles conseguiram retornar para seus antigos cargos. E mesmo perdendo forças nas últimas eleições municipais, continuam vivos e influentes na vida pública. Devemos festejar a possibilidade de esses casos virem ao público com maior facilidade do que em outras épocas, não nos surpreendemos com a vagarosidade da justiça em julgar essa quadrilha e constatamos que ainda falta muito para que o povo possa passar da indignação para uma verdadeira ação nesse caso. Somente dessa forma, poderíamos colocar o poder desses parlamentares em perigo.

p) O governo estadual continua sua trajetória de um governo perfeitamente neoliberal, característica marcante de seu partido. Cortando gastos no governo e mesmo reduzindo a dívida do Estado de maneira considerada, não atendeu a qualquer negociação de vários movimentos dos servidores estaduais, deixou a situação da saúde e educação piorarem e cada vez mais entrega Alagoas ao Banco Mundial.

q) Alagoas vem liderando as taxas mais negativas do país, e o que tem causado maior repercussão são os índices de criminalidade. Se antes éramos conhecidos apenas pela violência política, agora estamos impregnados da violência urbana. Esse processo inicia na verdade no começo da década de 90 (a crise no setor dos usineiros) que levou milhares de pessoas incharem a periferia das grandes cidades (como Maceió e Arapiraca), em condições precárias de vida e que desemboca na explosão de violência que vivemos hoje.

r) As articulações políticas para o ano que vem nos trazem um cenário cômico numa perspectiva sádica. Um mesmo bloco pode agrupar desde setores tradicionais da esquerda que cada vez mais se vende (PT e PCdoB), aos aliados regionais de Lula, como Renan e Collor e um dos maiores representantes da burguesia estadual, que é João Lyra. Por mais que rumores falem que o bloco não sairá mais, a possibilidade concreta dele existir já é de causar vergonha para quem ainda acredita nesses partidos como alternativa de mudança.

s) Seja quem estiver no governo, a nossa esperança estará na possibilidade de luta. O povo alagoano, eternamente humilhado, terá que encontrar uma alternativa popular, se espelhando no seu passado de resistência cabana, caeté e quilombola.

sábado, 12 de dezembro de 2009

[BOLETIM CAZP] dez-09 (textos)

BOLETIM CAZP – dez/09

PELO RESGATE DE UM SINDICALISMO MILITANTE
é na luta que se constrói Poder Popular

Situação atual

Ultimamente temos visto um movimento sindical bem menos participativo do que já foi um dia. As direções sindicais, em sua grande maioria, burocratizadas e institucionalizadas, vêem a participação da base se esvair. Logicamente que a culpa não é somente do movimento sindical, vivemos num mundo cada vez mais individualista, onde a competição se sobrepõe à solidariedade, mas os erros cometidos na trajetória recente do movimento dos trabalhadores têm que ser apontados na perspectiva de buscar sua superação.

No começo da década de 80, com o enfraquecimento da linha dura da ditadura, tivemos grandes mobilizações tanto no movimento sindical, como em diversos outros movimentos sociais. Houve o nascimento da CUT, baseada em alguns princípios que favoreciam um movimento forte e construído pela base. Com o passar dos anos, houve um engessamento desta Central, com o crescimento de posições conservadoras e menos questionadoras. A proximidade com a política parlamentar e a disputa de cargos no Estado por militantes sindicais, cujo partido hegemônico na central optou por essa linha política, implicou numa flexibilização cada vez maior no programa original. Decisões importantes eram cada vez mais articuladas pelas cúpulas em detrimento da base.

Hoje, alguns sindicatos e centrais têm estruturas enormes, com diversos recursos materiais, mas precisam pagar pessoas para carregar bandeiras em suas manifestações. Os trabalhadores escolhem seus representantes, mas não participam das decisões quotidianas de seu sindicato.

Existem tentativas de se organizar o movimento sindical hoje, algumas com muito discurso, mas tropeçando em erros cuja trajetória apontará para os mesmos problemas que já enfrentamos. Outras não fazem questão de mudar nada, mas apenas garantir sua fatia de influência política ou estão meramente interessadas no imposto sindical, que atrela o movimento ao Estado e compromete a sua capacidade de pressão.

Movimento de verdade se faz pela base

Se nos é colocada a possibilidade de recomeçar, uma coisa tem que prioritariamente estar clara: não devemos cometer os mesmos erros. Para nós, anarquistas, o sindicato é instrumento da classe trabalhadora. Esse instrumento serve para articular lutas imediatas, mas balizadas pela mudança necessária e radical do paradigma de sociedade em que vivemos.

Numa conjuntura propícia os movimentos sociais (incluindo os sindicatos) seriam espaços nos quais se organizaria o povo na transformação social de nossa sociedade. No momento atual, o sindicato tem que ser reflexo das lutas da classe trabalhadora, que devem emanar do local de trabalho. A ação direta, a solidariedade de classe e a autogestão formam lutadores. E mais importante que obter conquistas imediatas é o despertar da consciência de que foi através do esforço coletivo, sem intermédios, que determinada vitória fosse possível.

Essa construção não deverá ser nada fácil, mas temos a convicção que esse é o único caminho efetivo que levará a reorganização dos trabalhadores numa perspectiva libertadora. No começo podemos contar com poucas pessoas interessadas, já que a maioria muitas vezes está cansada de tanta ilusão e alienada ideologicamente por nossa sociedade de consumo. A luta é grande, mas é imprescindível que comece pelo local de trabalho. É nesse espaço que nos vemos como trabalhadores, que sentimos na pele nossos problemas e que devemos traçar estratégias para nossa luta. A política do sindicato tem que ser conseqüência do conjunto de mobilizações nesses espaços que funcionam impulsionados pela lógica da democracia direta.

Denominamos como sindicalismo revolucionário essa lógica de se organizar: participativa, radicalmente questionadora e impulsionada por uma necessidade de mudança geral da sociedade. O sindicato deve ser aberto ao conjunto da classe trabalhadora que o representa, independentemente de sua opção ideológica. No seu interior as disputas devem acontecer, desde que impulsionadas pela construção da luta e não pelo desejo de aparelhamento por parte de organizações políticas. Os sindicatos não podem ser reflexos da política de partidos.

O aparelhamento de sindicatos é um dos principais responsáveis pela crise vivida hoje, que pode ser combatida com a participação crescente da base. Não esperemos que a maioria esteja mobilizada para começarmos. A maioria se fará na medida em que nossa luta for efetiva, mas os espaços têm que ser abertos e agregadores.

Sindicalismo que constrói Poder Popular

A prática do sindicalismo revolucionário faz parte de um projeto maior. A construção do Poder Popular. O empoderamento do povo permite um questionamento do sistema e nos faz forte frente ao Capital. A organização pelos locais de trabalho, de moradia e de estudo nos permite fazer frente aos governos e patrões. Construir a saída dos problemas que nos afligem nos faz ver os limites do sistema e fará despertar a consciência de que nossas necessidades somente serão atingidas de forma plena em outro paradigma de sociedade.

Mas pra que de fato o sindicalismo possa contribuir na construção do Poder Popular é preciso também resgatar valores e práticas esquecidas. Fazer um sindicalismo que se volta a sua base, mas que também costura luta e solidariedade com outros movimentos, sem, inclusive, se achar dotado de maior importância. Um sindicalismo que também busca identificação na comunidade a qual se insere, indo até mesmo além de suas pautas trabalhistas.

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O sindicalismo revolucionário no início do século XX

No começo do século XX o Brasil, assim como outros cantos do mundo (principalmente Europa, EUA e América Latina), vivia momento de grande agitação e mobilização. Era a época que na maior parte desses lugares haviam uma influência importante, quando não majoritária, do sindicalismo revolucionário. Trabalhadores com extensas cargas horárias de trabalho (podia chegar até 15h diárias) conseguiam se mobilizar e participavam ativamente do dia a dia do sindicato, que muitas vezes era encarado como sua segunda casa. As lutas eram mais massivas e emanavam das decisões da base, tudo balizado por um projeto bastante claro de ruptura social. Por mais que as reivindicações fossem imediatas estava claro para os trabalhadores a necessidade de mudanças radicais que viesse superar o capitalismo.

No Brasil vivíamos a época da Confederação Operária Brasileira (COB), que organizou várias greves (entre elas a primeira greve geral, de 1917). Responsáveis pela conquista em vários locais de melhorias salariais, redução de jornada, combate ao trabalho infantil. Movimentos radicalizados em todo Brasil, que muito colaborou com a conquista de vários direitos trabalhistas que gozamos ainda hoje. Sem intermédio de políticos e sem a participação no parlamento.

Em Alagoas tivemos a Federação Operária Alagoana, filiada a COB. Teve importante participação nas lutas dos trabalhadores de nosso estado. Destaque para o ano de 1913, com intensas greves, organizada pelos trabalhadores da indústria têxtil, alfaiates, sapateiros, trapicheiros, estivadores, carroceiros e outros. Destaque para a greve nas industrias têxteis da companhia Progresso e Cachoeira, que teve intensa participação da Federação e conseguiu arrancar diversas concessões da patronal.

Personagem histórico: Antônio Canellas

Um importante militante do sindicalismo revolucionário brasileiro foi o anarquista Antônio Canellas. Carioca de nascença, mas que, vindo do Recife, militou ativamente no movimento dos trabalhadores em Alagoas. Autodidata, editou em terras alagoanas o jornal “A Semana Social”. Perseguido pela repressão, teve que fugir, voltando para o Rio de Janeiro, onde continuou sua militância no movimento operário.

Antônio Canellas também foi um dos que terminou formando o PCB, sendo o primeiro militante brasileiro a ir à Rússia pós revolução para participar da III Internacional Comunista. Lá cometeu o “crime” de discordar dos Bolcheviques, na ocasião representados na figura de Trotsky. Seu espírito libertário não havia sido apagado e ele não pode concordar com as orientações monopolíticas e teóricas a ser seguido pelos PC´s mundo a fora. Resultado: foi, orgulhosamente, o primeiro militante expulso do então PC brasileiro.

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TODA SOLIDARIEDADE À FAG

Na tarde do dia 29 de Outubro a Federação Anarquista Gaúcha (FAG) teve a sua sede, localizada no centro de Porto Alegre, batida pela polícia civil. Munidos de um mandato de busca e apreensão de materiais referentes às denúncias da responsabilidade pelo assassinato do sem-terra Eltom Brum e corrupção junto a venda do Rio Grande do Sul ao Banco Mundial que a FAG vinha deflagrando contra a atual governadora gaúcha, Yeda Crusius (PSDB), os policiais levaram não só CPUs, backups e cartazes associados ao motivo da queixa, bem como atas e outros documentos políticos da organização. Outro mandato foi ainda direcionado para a residência de um companheiro na cidade de Gravataí onde materiais semelhantes foram apreendidos.

O inquérito da Polícia Civil gaúcha terminou por indiciar oito militantes da FAG por crime contra a honra, incitação ao crime e formação de quadrilha ou bando. É notório que trata-se de repressão política tentando calar a voz de um importante setor da esquerda gaúcha que vem atuando na campanha “Fora Yeda!” deste estado com independência de classe.

O Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares mostrar-se solidário à Federação Anarquista Gaúcha (FAG). Demonstramos nosso repúdio à atual representação do governo do Rio Grande do Sul, em nome de Yeda Crusuis, a mandante da ação. Não nos mostraremos intimidados diante de qualquer crime covarde de perseguição e repressão vindo de poderosos corruptos aliados ao Banco Mundial! Banco Mundial que aqui em nossas terras também tem dado as diretrizes políticas para o governo de Téo Filho, também do PSDB. Os projetos do capital transcendem as fronteiras, assim como nossa luta e solidariedade.

SOMOS TODOS ELTOM BRUM!
FORA YEDA!
NÃO TÁ MORTO QUEM PELEIA!

cazp@riseup.net

sábado, 21 de novembro de 2009

Ciclo de Debates: Estado e repressão política

sábado, 7 de novembro de 2009

[FAG] Crônica sobre o ataque sofrido

PROTESTO NÃO É CRIME, NENHUM PASSO ATRÁS

Crônica do ataque policial-estatal sofrido pela FAG
Sábado 31 de outubro de 2009, Porto Alegre – RS, Brasil

A Federação Anarquista Gaúcha (FAG) agradece fraternalmente a solidariedade que está sendo manifestada e reafirma seus princípios frente ao ocorrido no dia 29 de Outubro, em Porto Alegre. Homens e mulheres livres, dotados de ideais e certos do direito que tem de expressá-los política e socialmente seguem íntegros.

Na tarde do dia 29 de Outubro foi deflagrada a execução pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul de dois mandados judiciais (Justiça Estadual) de busca e apreensão na sua sede pública em Porto Alegre e no endereço de hospedagem do site vermelhoenegro.org na cidade de Gravataí. Em tais ordens constava o recolhimento de material impresso de propaganda, computador (CPU) e demais objetos relacionados à queixa criminal. Os agentes do Estado inicialmente tentaram arrombar o portão conforme testemunho de vizinhos do local, já que a sede estava fechada naquele momento. Após a entrada no local, mediante a leitura do mandado, iniciaram a busca no interior do imóvel por cartazes, boletins informativos e demais documentos ao mesmo tempo em que desligaram o telefone, alegando que durante aquela execução não se pode usar tal meio. O agravante é que além do cartaz requerido pela ordem judicial, no qual a governadora é responsabilizada junto à Brigada Militar (polícia militar estadual) pelo assassinato de Eltom Brum da Silva, levaram o estoque de arquivo de outras produções impressas de opinião política e informação, como um arquivo de cartazes reivindicando a saída da governadora e denunciando a ingerência do Banco Mundial no seu projeto político. Este material é parte da campanha pública deflagrada pela FAG dentro do contexto de uma ampla campanha de mobilização sindical e popular que vem se desenvolvendo há pelo menos um ano neste estado.

Na tarde do dia 29 de Outubro foi deflagrada a execução pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul de dois mandados judiciais (Justiça Estadual) de busca e apreensão na sua sede pública em Porto Alegre e no endereço de hospedagem do site vermelhoenegro.org na cidade de Gravataí. Em tais ordens constava o recolhimento de material impresso de propaganda, computador (CPU) e demais objetos relacionados à queixa criminal. Os agentes do Estado inicialmente tentaram arrombar o portão conforme testemunho de vizinhos do local, já que a sede estava fechada naquele momento. Após a entrada no local, mediante a leitura do mandado, iniciaram a busca no interior do imóvel por cartazes, boletins informativos e demais documentos ao mesmo tempo em que desligaram o telefone, alegando que durante aquela execução não se pode usar tal meio. O agravante é que além do cartaz requerido pela ordem judicial, no qual a governadora é responsabilizada junto à Brigada Militar (polícia militar estadual) pelo assassinato de Eltom Brum da Silva, levaram o estoque de arquivo de outras produções impressas de opinião política e informação, como um arquivo de cartazes reivindicando a saída da governadora e denunciando a ingerência do Banco Mundial no seu projeto político. Este material é parte da campanha pública deflagrada pela FAG dentro do contexto de uma ampla campanha de mobilização sindical e popular que vem se desenvolvendo há pelo menos um ano neste estado.

Conforme comunicado pelos agentes da Polícia Civil o processo está embasado na queixa de injúria, calúnia e difamação contra a FAG movido pela governadora Yeda Crusius (PSDB) referente ao termo “assassina” publicado em panfletos, cartazes e página web. Também foram apreendidos outros documentos não relacionados ao fato, assim como uma coleção de discos de arquivo de backup e do próprio CPU. Perguntavam por armas e drogas, numa tentativa clara de nos criminalizar assim como sobre quem toma as decisões, quem são os responsáveis, como funciona a FAG, se tem registro jurídico formal enquanto associação ou entidade. Buscavam também, com um segundo mandado semelhante o endereço e o responsável pela página do site da internet, havendo uma ameaça clara de cerceamento da liberdade de expressão também neste veículo assim como da tentativa de criminalização do seu responsável técnico, o qual não foi localizado. O responsável pelo endereço físico do portal foi levado à 17ª delegacia e apreendido neste local – em Gravataí (Região Metropolitana de Porto Alegre) também o CPU do seu computador, um palm-top de uso pessoal e arquivos de documentos antigos da FAG, que permaneceram lá guardados ao longo dos anos, como cartazes, revistas e informativos diversos.

No total, a repressão política impetrada pela governadora terminou identificando e levando para interrogatório a quatro pessoas. As oitivas se deram na 17ª delegacia de Polícia Civil em Porto Alegre, agora seguindo o inquérito, possível indiciamento e posterior processo judicial contra os indivíduos identificados e responsabilizados pela referida campanha pública de difusão de opinião, em nome da FAG, sobre o assassinato de um companheiro do MST na fazenda Southall em São Gabriel (Fronteira Oeste), ocorrido em 21 de agosto deste ano. Reiteramos porém que não apenas os ditos materias ofensivos foram apreendidos, mas vários arquivos de textos e discos, documentos políticos, atas de encontros e reuniões, inclusive objetos já descartados caracterizados como lixo e também que a ameaça de exclusão do site vermelhoenegro.org está clara. Assim, alertamos a todas as companheiras e companheiros, incluindo aqueles que se solidarizam conosco, cientes do motivo caso sejamos excluídos, ou melhor, censurados, em nossa página na internet.

O episódio do assassinato do sem-terra Eltom Brum da Silva, a luta de idéias, a propaganda e agitação produzidas pela FAG sobre os fatos motivaram a queixa de injúria, calúnia e difamação que resultaram em busca e apreensão do material difundido na semana seguinte ao dia 21 de Agosto de 2009. Em São Gabriel, no sul do país, o colono Sem Terra foi covardemente morto com um tiro de calibre 12 pelas costas, havendo inclusive relatos discordantes quanto ao responsável direto pela morte. Este fato é fundamental, já que uma pergunta que fazemos é: independente da patente daquele que segurava a arma com munição letal e da sua intenção ou dolo, não são os governantes os responsáveis pelas polícias e demais instituições do Estado?

No topo da cadeia hierárquica são os governadores dos estados brasileiros os chefes máximos das polícias estaduais (Civil e Militar), portanto é a governadora Yeda Crusius no Rio Grande do Sul, assim como seria em qualquer outro estado do país, a responsável direta por qualquer ato de seus comandados diretos. Mas há ainda outras considerações importantes. As políticas públicas implementadas pelos governos são também responsabilidade de quem as define e executa, mais uma vez representado no seu chefe, o governador. Não somente a fato do assassinato de um Sem Terra em 2009, caracterizado pela própria mídia tradicional como político, mas também as conseqüências das políticas para a educação e saúde públicas, da criminalização da pobreza nas periferias urbanas e no campo, assim como sobre os movimentos sociais e sindicatos são bandeiras legítimas que vários setores do povo organizado vêm levantando a mais de ano contra este governo. Não há casos isolados, mas um endurecimento dos dispositivos de criminalização e repressão brutal a todos estes setores, como por exemplo, na greve dos bancários e dos professores estaduais em 2008 e a tentativa de criminalização da oposição dos servidores públicos liderada pelo CPERS-sindicato, de longa trajetória de lutas. Não podemos tampouco omitir o processo político deflagrado junto ao Ministério Público estadual contra o MST, uma conspiração de Estado, também com o firme propósito de criminalizá-lo.

Outro agravante deste governo são os efeitos a curto, médio e longo prazo do empréstimo com o Banco Mundial, por exemplo, a tentativa de venda da Pampa para os interesses das papeleiras, a prevalência do agronegócio sobre a agricultura familiar e o financiamento direto e indireto dos grupos e corporações nacionais e multinacionais. Enfim, se aplica o plano estratégico neoliberal para o RS publicamente conhecido na agenda 2020 e estas metas são responsabilidades de todos os que compõem o governo com funções políticas (1º, 2º e 3º escalão) e principalmente da governadora Yeda Crusius, evidente defensora do seu projeto de governo, ou melhor, do projeto das elites que a sustentam e dos interesses que estas representam.

Não ignoramos o papel das classes dominantes como agentes decisivos na política e da sua influência no jogo de interesses que caracterizam os governos de turno do estado do RS. Aqui estão presentes os interesses dos latifundiários e do agronegócio e toda sua cadeia depredatória, como a indústria da celulose, o deserto verde, a exploração das reservas de água, a tentativa de criminalização do MST, o fechamento das escolas itinerantes dos acampamentos, etc.. . Também estão em jogo os interesses daqueles que vivem do roubo sistemático contra o povo, da corrupção institucionalizada, da banca estelionatária e criminosa, da velha ordem de tirar vantagem, de desprezar o povo e fundamentalmente seus direitos e sua capacidade de rebelar-se. São inúmeras as denúncias e evidências de corrupção escandalosa assim como foram muitas as tentativas de desqualificar e impedir os sindicatos, as categorias e movimentos sociais de manifestarem seu repúdio, sua opinião.

A política de retirada de direitos dos trabalhadores, muitos deles conquistados orgulhosamente com muito combate desde os sindicatos de resistência há mais de cem anos, não é exclusividade do governo Lula. Aqui no RS o governo Yeda Crusius tomou e vem tomando várias medidas de cerceamento, repressão e criminalização contra os professores estaduais e seu o sindicato (CPERS), assim como de seus dirigentes. As escolas públicas estaduais passaram a ser um negócio entre o governo e organizações privadas, as fundações educacionais, verdadeiras cloacas de dinheiro público com sua lógica de gestão e seus interesses, onde quem ganha são os de sempre e quem perde é o povo. As conquistas de décadas de lutas das categorias dos trabalhadores da educação vêm sendo combatidas arduamente pela atual política para a educação no governo estadual, antes também personificado na figura de Mariza Abreu, ex-secretária de educação, logo também responsável pelas conseqüências do projeto que defende.

O CPERS junto a vários outros sindicatos dos serviços públicos estaduais organizados no Fórum dos Servidores e com diversos setores dos movimentos populares, sindical e estudantil vem denunciando e posicionando-se contrários publicamente a essas políticas e suas conseqüências. A campanha, chamada “Fora Yeda”, na qual somamos esforços, é onde está contextualizada a luta de propaganda e agitação que motiva o processo contra a FAG.

Queremos registrar a solidariedade que foi manifestada prontamente por vários companheiros, entidades, sindicatos, veículos de comunicação alternativos, da comissão de direitos humanos do MST, do Cpers-sindicato na presença de sua presidente e vice já em nossa sede durante a operação policial, assim como da disponibilização das assessorias jurídicas deste e de outros sindicatos. Temos a solidariedade como um princípio e estamos enaltecidos com tantas manifestações que recebemos e certamente seguiremos recebendo de tantos estimados companheiros, como as já manifestadas pela Confederação Geral do Trabalho (CGT-Espanha) e nossa co-irmã, a Federação Anarquista Uruguaia (FAU).

Nos exemplos de Sacco e Vanzetti reafirmamos que a natureza criminal das classes dominantes, suas elites dirigentes, do sistema capitalista seguirá colidindo com o antagonismo e a vigência de nossas lutas, de nossos princípios e acima de tudo do direito a liberdade pelo qual seguiremos peleando. Com um olhar firme no horizonte libertário que buscamos, com a dignidade de combatentes e a solidariedade com as classes oprimidas, aos povos que lutam, suas ânsias por construir desde o presente caminhos rumo a uma nova sociedade, nenhum passo atrás é a palavra de ordem.

Que a ofensa feita a um seja a luta de todos!
Pelo socialismo e pela liberdade,
Não tá morto quem peleia!

Federação Anarquista Gaúcha
Contato: fag.solidariedade@gmail.com

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Solidariedade a FAG!!

TODA A SOLIDARIEDADE PARA COM A FAG! ANTES A REPRESSÃO FOI CONTRA O SEM TERRA ELTOM, HOJE É NA SEDE DA FAG, AMANHÃ QUEM SERÁ???

A REPRESSÃO DO GOVERNO YEDA FOI ALÉM DO ESPERADO. DOIS COMPAS FORAM PROCESSADOS E RESPONDERÃO A UM PROCESSO DE PARTE DE UM GOVERNO ACUSADO DE DEZENAS DE CRIMES, E ALVO DE INVESTIGAÇÕES FEDERAIS EM SEQÜÊNCIA. ATÉ A REPRESSÃO DO ESTADO LIBERAL-BURGUÊS VÊ A ESTA GESTÃO COMO SUSPEITÍSSIMA. YEDA ALEGA INVESTIGAR UMA PROPAGANDA CONTRA A SUA HONRA PESSOAL, MAS NA VERDADE, QUER É DEFENDER A SUA GESTÃO ENTREGUISTA, LACAIA, REPRESSORA, ANTI-POVO E CORRUPTA!



A POLÍCIA CIVIL DO RS LEMBROU SEUS TEMPOS DE DOPS (DOS QUAIS NUNCA ESQUECEU!) E, APREENDEU DOCUMENTOS INTERNOS DA FEDERAÇÃO ANARQUISTA GAÚCHA, INCLUINDO OBJETOS DE USO PESSOAL. INTIMOU TAMBÉM AQUELES QUE MESMO OFERECENDO APENAS A SUA SOLIDARIEDADE – OU PRESTANDO SERVIÇO COMO TRABALHADOR AUTÔNOMO - CONSTAVAM DE REGISTROS DA PÁGINA DE INTERNET DA ORGANIZAÇÃO. NÃO BASTASSE A APREENSÃO DA CPU E DO BACK UP DO COMPUTADOR, LEVARAM DOCUMENTOS INTERNOS (COMO ATAS DE REUNIÕES, DOCUMENTOS DE DEBATES), MATERIAL DE PROPAGANDA PÚBLICO E ATÉ OS RESÍDUOS QUE ESTAVAM NA LIXEIRA DA SEDE. COMO ERA DE ESPERAR, OS ANARQUISTAS SE PORTARAM À ALTURA DE SEU DESAFIO E ENCARARAM COM SOBRIEDADE E FIRMEZA TODA A INTIMIDAÇÃO POLICIAL.

IMEDIATAMENTE A SOLIDARIEDADE DE CLASSE SE FEZ NOTAR, REPERCUTINDO NO RIO GRANDE DO SUL, POR TODO O BRASIL, NA AMÉRICA LATINA E, A PARTIR DA ESPANHA, POR ORGANIZAÇÕES ANARQUISTAS E MOVIMENTOS POPULARES DE TODO O MUNDO. EM BREVE VAMOS AGRADECER A TODAS E TODOS QUE SE MOVERAM PARA DEFENDER ESTA AGUERRIDA ORGANIZAÇÃO POLÍTICA NASCIDA EM 18 DE NOVEMBRO DE 1995 E QUE VEM CUMPRINDO COM SEU DEVER PERANTE NOSSA CLASSE E POVO NOS 365 DIAS DO ANO!

PARA LOGO TAMBÉM ESTAREMOS SOLTANDO UMA LARGA CRÔNICA, DETALHANDO O OCORRIDO E CONTEXTUALIZANDO O GOVERNO NEOLIBERAL DE YEDA E CARLOS CRUSIUS, LAIR FERST, RUBENS BORDINI, DO FINADO MARCELO CAVALCANTE (AFINAL, QUEM O MATOU?!), DO CORONEL MENDES, DE CHICO FRAGA, MARCOS RONCHETTI, WALNA VILLARINS MENEZES, AOD CUNHA, ARIOSTO CULAU, FERNANDO LEMOS, FERNANDO SCHILLER E OUTRAS TANTAS E TANTOS PERSONAGENS SINISTROS DA RECENTE HISTÓRIA POLÍTICA DO RS. ESTA É A “NOVA GERAÇÃO” DE ARENISTAS DO PAGO, AGORA REMODELADOS COMO NEOLIBERAIS E SOB A SIGLA DO PSDB DE FERNANDO HENRIQUE E CIA. É ÓBVIO QUE NÃO SÃO APENAS OS OPERADORES DA POLÍTICA OS RESPONSÁVEIS PELA DOMINAÇÃO ESTRUTURAL E PELA OPRESSÃO NA SOCIEDADE. MAS, NESTE MOMENTO, NO RIO GRANDE, ESSA LAIA É REPRESENTANTE DIRETA DE INTERESSES DO GOVERNO CENTRAL (COMANDADO POR LULA E HENRIQUE MEIRELLES), FAZENDO CORO COM O LATIFÚNDIO (SOB O NOME DE AGRO-NEGÓCIO), COM O DESERTO VERDE (APELIDADO DE REFLORESTAMENTO), DAS PRIVATIZAÇÕES (CHAMADAS DE PPPs), E DO PIOR DE TUDO: A SOMA EXPLOSIVA DE REPRESSÃO POLÍTICA, CORRUPÇÃO DE GOVERNO E ENTREGUISMO.

É PRECISO DERRUBAR ESSA CORJA E ROMPER O CONTRATO DE EMPRÉSTIMO COM O BANCO MUNDIAL! A FAG VEM DENUNCIANDO O CRIME DE VENDE-PÁTRIA DESSA CAMARILHA DESDE QUE COMEÇARAM AS NEGOCIAÇÕES DESSE ABSURDO. POUCAS VOZES SE LEVANTARAM NO RO GRANDE E A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA, INCLUINDO A OPOSIÇÃO PETISTA, VOTOU POR UNANIMIDADE A ASSINATURA DESSE ABSURDO. VOTARAM SEM VER O CONTRATO E POUCOS GRITARAM. É POR ISSO QUE YEDA CRUSIUS ATACOU A FAG! PORQUE ELA ATACA A VERDADE ESCONDIDA SOB O MANTO DA MENTIRA DO SEGREDO ENTRE AMIGOS. É POR ISSO QUE A CHAMAMOS DE RESPONSÁVEL PELO ACORDO ENTREGUISTA JUNTO AO BANCO MUNDIAL E TAMBÉM É RESPONSÁVEL, JUNTO COM O COMANDO DA BRIGADA, DO ASSASSINATO DO COLONO SEM-TERRA ELTOM BRUM DA SILVA. ESTA FOI A RAZÃO DE YEDA MANDAR A CIVIL, ATUANDO COMO POLÍCIA POLÍTICA, ATACAR A NOSSA SEDE E LEVAR O QUE O MANDADO PERMITIA E TAMBÉM O QUE NÃO PERMITIA. BASTA!

PARA LOGO ESTAREMOS MAIS UMA VEZ DIALOGANDO COM AS FORÇAS DA ESQUERDA SINCERA E MILITANTE DO RS PARA REAGIRMOS, DE FORMA PÚBLICA E VEEMENTE, A MAIS ESTE DESMANDO E ABSURDO. É HORA DE AGLUTINAR FORÇAS E FAZER REVIVER ELTOM BRUM EM NOSSAS LUTAS! PORQUE NUNCA ESTÁ MORTO QUEM PELEIA!

SOLIDARIAMENTE, FEDERAÇÃO ANARQUISTA GAÚCHA

WWW.VERMELHOENEGRO.ORG/FAG

NOVO EMAIL PARA CONTATO: fag.solidariedade@gmail.com

terça-feira, 15 de setembro de 2009

[Ciclo de Debates] Poder Popular x Estado


Poder Popular x Estado:
perspectiva anarquista de transformação social

25/09 às 16h
Ufal - Bloco 13

terça-feira, 12 de maio de 2009

[Teoria/Formação] Links para cartilhas

Os links abaixo são para baixar materiais teórico-políticos produzidos e/ou editado por nós. Alguns dos materias podem ser encontrados neste próprio sitio. Eles são distribuídos no formato de cartilhas.

Revolução Russa - o poder dos sovietes contra o estatismo (CAZP)

Declaração de Princípios e textos de referência (CAZP)

Anarquismo e Teoria: reconstruindo trajetórias, discutindo referenciais

sábado, 25 de abril de 2009

[BOLETIM] A receita do Banco Mundial para a crise em Alagoas

A receita do Banco Mundial para a crise em Alagoas

Todos sabem que vivemos um período de crise econômica, onde economistas do mundo todo se descabelam tentando entender “o que é que deu errado nas contas”, com a elite política e econômica de todo mundo reunindo-se e debatendo “soluções para a crise”.

Junto a esse embaraço, a cobertura da mídia, buscando, antes de tudo, gerar a blindagem ideológica aos pilares do capitalismo, ao mesmo tempo empurra as idéias de que a flexibilização de direitos, as demissões de trabalhadores e o congelamento de salários dos servidores públicos, são as saídas. Sem contar nos verdadeiros assaltos aos cofres públicos para cobrir rombos privados.

A importância da resposta dos trabalhadores e todos os setores oprimidos deve tomar uma amplitude para além das saudações de ruína dos inimigos de classe e da afirmação de uma alternativa socialista como acessório de discurso. É preciso estar atento às movimentações do inimigo de classe, mas ao mesmo tempo em que se dá continuidade às movimentações de base, de maneira a criar resistência e elementos de organização e combate político do povo organizado. E sim, nunca é demais dizer: por fora de cálculos eleitorais!


Alagoas na crise financeira: uma redundância?

Como um grupo político fincado em solo alagoano, queremos dedicar espaço para discutir o tratamento da crise em Alagoas. E sabemos que se “crise” nunca foi novidade na história do capitalismo, em Alagoas então, todos já estão bem acostumados em ouvir sobre o tema.

A crise econômica em Alagoas vira redundância, pois estamos falando de uma região na qual a dependência de verba federal sempre foi a tônica. Além do que, o estado ainda é fortemente marcado por uma baixa diversificação de suas atividades econômicas, se destacando em áreas como o turismo e produtos para exportações, onde estas se concentram no setor sucroalcooleiro – os quais, diga-se, quando não estão em crise, a inventam para arrancar benefícios.

No final de março, o governador Teotônio Vilela concedeu uma entrevista coletiva para explanar sobre suas medidas e ventilar otimismo, seguindo a tendência de todos os governantes mesmo a realidade não dando muitos elementos para tal. Como pano de fundo, tem-se as gradativas reduções postas pelo governo federal das cotas do Fundo de Participação dos Estados e dos Municípios (FPE e FPM)). Sem contar nas incertezas geradas das verbas programadas com o PAC onde delas dependem obras capitais para o governo estadual, inclusive em seus interesses eleitorais, como a do canal do sertão.

A receita usada pelo governo estadual - e amplamente anunciada - é a contenção de despesas com a “máquina pública”. No paralelo, a abertura e a busca de atração de investimentos privados. Mas de onde veio essa receita, com cheiro e textura neoliberal?


O Banco Mundial dita as regras e “cede” empréstimo

O dono da receita contra a crise em Alagoas é o Banco Mundial. Desde o fim de 2007 o governo estadual se reúne com o Tesouro Nacional da União e o Banco Mundial para discutir a dívida pública do Estado e fazer ajustes fiscais. Na época a pauta era a reestruturação da dívida com a União, que chega hoje aos 7 bilhões.

Hoje a discussão de reestruturação da dívida está suspensa, mas não a presença e influência do Banco Mundial e organismos internacionais. Na verdade, mudaram-se as propostas e a pauta agora vira a concessão de empréstimo do Banco Mundial ao Estado de Alagoas na ordem de R$ 430 milhões, prevista para até o fim do semestre. O fato é demonstrativo para entender a sintonia entre as partes na definição de modelos de gestão pública e a orientação das políticas econômicas e sociais em Alagoas. Aliás, o cumprimento rigoroso dessas metas é a condição do empréstimo.

Entre um dos principais pontos está o que eles chamam de “medidas administrativas”, mas que na verdade se direcionam aos trabalhadores do serviço público e o próprio funcionamento dos serviços. As principais orientações do Banco Mundial tem sido para estes, com a já conhecida entrega dos serviços públicos para o setor privado e as consequências de flexibilizações de direitos trabalhistas.

O constante discurso do governo de que não irá congelar salários, de que tem concedido vários reajustes, é a jogada para tentar se esquivar do latente caos que tem passado setores com a saúde e a educação em Alagoas. E as “receitas” e soluções buscadas, são as já conhecidas há décadas: precarização, flexibilização trabalhista e privatização de serviços.

BOLETIM CAZP, abril 2009.